Site Loader

Maurício Renner // sábado, 15/08/2015 12:07
A Totvs anunciou a compra da Bematech nesta sexta-feira, 14, em um negócio de R$ 550 milhões em dinheiro e ações. 

Laércio Cosentino, CEO e fundador da Totvs.
    Os acionistas da Bematech receberão 0,0434 ação ordinária da Totvs para cada ação que tiverem, além de R$ 9,35 por ação. O montante representa R$ 467,4 milhões em dinheiro e R$ 82,5 milhões em ações da Totvs. 
    A avaliação representa prêmio de 56% em relação valor de mercado da Bematech de hoje, de cerca de R$ 351 milhões na bolsa. A transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas das empresas e o Cade.
    O negócio é o maior já fechado pela Totvs, só perdendo para a aquisição da Datasul em 2008, uma operação de R$ 700 milhões que revolucionou o mercado de ERP brasileiro, posicionando a companhia como líder indiscutível.
    Segundo as empresas, a reorganização societária resultará em uma operação combinada com receita líquida de R$ 2,2 bilhões no ano passado. A maior parte vem da Totvs, que encerrou 2014 com um faturamento de R$ 1,8 bilhão.
    “Esse movimento representa um passo importante na nossa estratégia de expansão, que se iniciou com a consolidação do mercado de ERP, seguido de um aumento da especialização por segmento e agora entra na sua terceira fase com a consolidação de cada um desses segmentos”, diz Laércio Cosentino, CEO e fundador da Totvs.  
    Os custos da fusão são estimados pelas empresas em R$ 10 milhões, incluídas as despesas com publicações, auditores, avaliadores, advogados e demais profissionais contratados para assessoria na operação.
    As companhias não fizeram previsões de ganho de sinergia, mas eles devem ser grandes,

    uma vez que Totvs e Bematech tem negócios altamente complementares.

    A Bematech é líder em soluções de tecnologia para o varejo, food service e hospitality e afirma estar presente em mais de 50% dos checkouts dos estabelecimentos automatizados do Brasil, representando mais de 500 mil pontos de vendas.
    O varejo é um dos principais motores da economia brasileira, respondendo por mais de 50% das mais de 4,6 milhões de empresas formalmente estabelecidas no Brasil, segundo o IBGE. 
    Também é um dos segmentos onde a Totvs, a exemplo de outros players de sistemas de gestão, tem mais dificuldade para entrar, devido à força de concorrentes especializados na área.
    O principal deles é a Linx, que fechou o ano passado com uma receita líquida de R$ 368,8 milhões, uma alta de 25% frente ao ano anterior, e nos últimos anos fez uma dezena de aquisições que fortaleceram a empresa em segmentos como postos de gasolina, farmácias e varejo em geral.
    O que a Linx não tem, e a Totvs não tinha até agora, é o que poderia ser chamada da “última milha” da informatização, representada pelas impressoras fiscais, mercado no qual a Bematech é referência. 
    Por representar uma obrigação legal, as impressoras fiscais são a porta de entrada da tecnologia em muitos pequenos varejistas. Não é a toa que a Bematech tem uma rede de 5 mil revendedores no país, contra 50 da Totvs.
    Para a Bematech, no entanto, o domínio das máquinas fiscais já não é suficiente. Há alguns anos a empresa vem fazendo  um esforço para se tornar também uma provedora de softwares mais sofisticados para a gestão dos estabelecimentos. 
    Para isso, a empresa conduziu a compra de outra dezena de companhias de software nos últimos anos, sendo a última delas a  Unum, companhia paulista de software para gestão de varejo, adquirida por R$ 30 milhões no ano passado.
    Apesar dos executivos da companhia anunciarem já em 2013 que software correspondia a 40% da receita da companhia, com meta de chegar a 50% em 2015, a entrada no novo mercado era um caminho complicado para a Bematech.
    Ao mesmo tempo, a entrada em cena da nota fiscal eletrônica para consumidor já permite que players de software emitam notas fiscais sem necessidade das impressoras fiscais vendidas por companhias como a Bematech. 
    A NFC-e ainda está engatinhando. No ano passado, 15 mil estabelecimentos credenciados emitiram 100 milhões de notas. Mas dos 27 estados, no entanto, só Santa Catarina não entrou no projeto. 15 já emitem notas e o calendário de obrigatoriedade deve entrar em curso em 2016.
    Tendo em conta o exemplo da rápida expansão da NF-e, a NFC-e já é vista por muitos no mercado como algo que vai redefinir totalmente as regras do jogo, acabando com um mercado no qual as fabricantes de impressoras fiscais tinham uma vantagem natural e podiam tentar emplacar software como uma “venda casada”.
    A própria Totvs está atenta a isso e lançou recentemente o Fly 01 uma espécie de pacote mini-omnichannel, integrando na sua oferta uma solução de e-commerce, apps de gestão, PDV móvel e softwares de gestão verticais.
    Analisando os últimos resultados trimestrais de Totvs e Bematech, no entanto, é possível ver que ambas empresas talvez tenham mais a ganhar unindo forças do que tentando uma entrar no mercado da outra.
    A Bematech fechou o segundo trimestre com crescimento de receita zero, ficando em torno de R$ 105,4 milhões. O lucro bruto da empresa registrou R$ 38 milhões, 14% abaixo do alcançado no mesmo período de 2014.
    A Totvs, enrolada com a transição do modelo comercial de licenças de software para assinaturas na nuvem e, desde o último mês, com uma transição de três anos no comando da companhia, foi melhor. Mas não muito.
    A empresa cresceu apenas 2,7% no período, atingindo um resultado de R$ 451,4 milhões.
    Se comparados com o resultados do trimestre imediatamente anterior, quando a empresa cresceu 6,3% ano a ano, para R$ 459 milhões, a Totvs registrou uma pequena queda de faturamento de 1,6%.
    O lucro líquido da companhia atingiu R$ 60,4 milhões, com uma queda de 5,6% na comparação ano a ano. 
    Com a compra da Bematech, a Totvs muda totalmente as regras do jogo no mercado, novamente. Agora é ver como a concorrência vai reagir.

    Post Author: Akurat

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *