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RIO e SÃO PAULO – As sandálias Havaianas trocaram de mãos. Os irmãos Joesley e Wesley Batista fecharam ontem a venda da Alpargatas, dona da marca de calçados, da grife carioca Osklen e da Mizuno, por R$ 3,5 bilhões à Itaúsa, holding que controla o Itaú, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, ambas da família Moreira Salles. O valor corresponde a 85,78% do capital social votante da companhia.

O negócio foi anunciado após uma série de reviravoltas: no começo da semana, as conversas, que ocorriam em regime de exclusividade, foram interrompidas em razão de um impasse no preço, pois os interessados tentaram jogar para baixo o valor da oferta. Em seguida, surgiram potenciais investidores interessados na Alpargatas, os fundos de investimento americano Carlyle e Advent. No fim, os irmãos Batista conseguiram vender a empresa pelo valor máximo da oferta em discussão, que era de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,5 bilhões.

A rapidez era um dos pontos cruciais da negociação. O objetivo do grupo J&F com a venda da Alpargatas é fazer caixa para arcar com os R$ 10,3 bilhões referentes ao acordo de leniência fechado pelos irmãos Batista.

ACESSO AO ACORDO DE LENIÊNCIA

Mesmo com a pressão para levantar recursos, o negócio foi vantajoso para a J&F, que comprou a companhia no fim de 2015 por R$ 2,7 bilhões. Na prática, a diferença em relação ao valor acordado de venda é de R$ 800 milhões. Curiosamente, em 2015, a construtora Camargo Corrêa colocou a fabricante de calçados à venda pois precisava fazer caixa após fechar acordo de leniência em razão dos casos de corrupção relevados pela Operação

Lava-Jato.

Segundo fontes, para fechar o negócio, Itaúsa e Cambuhy pediram informações mais detalhadas sobre o acordo de leniência firmado pela J&F com a Procuradoria-Geral da República. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Alpargatas informou que “a forma de pagamento do preço será à vista, em moeda corrente nacional, na data do fechamento. O fechamento da operação está sujeito à condição suspensiva de obtenção da aprovação prévia do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”.

Roberto Kanter, professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que a Alpargatas conquista um sócio importante e pode ganhar musculatura no exterior. Segundo ele, a compra da marca Havaianas marca o primeiro grande investimento da Itaúsa na área de consumo:

— A Itaúsa sempre fez muitos investimentos focados na área de tecnologia. Essa aquisição vai diversificar sua atuação e sua entrada na área de consumo. O fato de o banco Itaú ter forte presença na América do Sul e EUA pode ajudar na internacionalização da marca Havaianas no exterior.

Para fechar a operação, a J&F contou com assessoria financeira do Bradesco BBI e assessoria jurídica do Bichara Advogados. Em comunicado, a Cambuhy disse que terá gestão compartilhada da Alpargatas com Itaúsa e Brasil Warrant.

NOVO FÔLEGO

Segundo o especialista Antônio Cesar Carvalho, da Acomp Consultoria, a Alpargatas pode ganhar fôlego financeiro com um novo sócio capitalizado. Carvalho avalia que as marcas da Alpargatas, como as Havaianas e a Osklen, podem ganhar musculatura no exterior e novo fôlego no Brasil, onde a crise tem afetado negócios.

— Esse novo sócio vai ser importante e vai poder criar sinergias entre os negócios. Apesar de ter ocorrido um jogo de especulação de preços nesses últimos dias, com a J&F querendo jogar o valor para cima, o que pesou foi o peso da marca e sua reputação no exterior. Foi por isso que os bancos toparam pagar mais e levar a Alpargatas — destacou Carvalho.

Segundo uma fonte que não quis se identificar, os novos sócios tendem a investir em mais tecnologia na fabricante de calçados, que vem perdendo espaço para concorrentes como Grendene, Nike e Adidas. Embora seja líder no mercado da América Latina, com quatro fábricas no Brasil e sete na Argentina, analistas dizem que o grupo não tem se destacado por lançamentos inovadores.

— A sensação é que a inovação diminuiu. Com a Osklen, que prometia levar a grife para o exterior, parece que ocorreu o sentido inverso, com a marca perdendo espaço até mesmo dentro do Brasil — destacou uma fonte que não quis se identificar. — As vendas de produtos da marca Havaianas, como roupas e óculos caíram 35% neste ano.

Em seu balanço, a Alpargatas destacou que a Osklen teve queda de 13% no volume vendido em razão do fechamento de sete lojas e do menor tráfego de consumidores, especialmente no Rio de Janeiro. Nas lojas das Havaianas, os negócios tiveram recuo de 11,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao ano passado.

Com isso, a receita da companhia caiu de R$ 993,8 milhões para R$ 807,5 milhões entre o início do ano passado para o primeiro trimestre deste ano: uma queda de 18,7%. Por outro lado, o lucro líquido subiu 62%, de R$ 110,9 milhões para R$ 179,8 milhões devido a fatores não recorrentes. A empresa quer ainda migrar para o Novo Mercado, segmento da Bolsa de Valores que reúne as empresas com maior nível de transparência e de governança.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/donos-do-itau-compram-alpargatas-por-35-bi21584746#ixzz4moBXAh93

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Post Author: Akurat

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